(O amor deve ser uma daquelas coisas que só se aprende fazendo)
Dia ruim, mesmo. Escrevi isso em alguma folha que eu já perdi. Pensando bem, eu venho perdendo muitas coisas ao longo do tempo. Quando ganho alguma coisa, já fico esperando o momento em que vão me tirar. Conto três segundos e plufh, a coisa some. Perco chaves, horários; meu corpo exala um cheiro acre. Cheiro de perda, cansaço.
Dia ruim, dia muito ruim, e uma pessoa qualquer me molhou com água da chuva, enquanto eu esperava o ônibus.
(... pena que eu não soube fazer direito)
Eu não esqueço, rabisco com um giz, escrevo frases soltas pelo chão, e agora a chuva lá fora apaga todos os meus traços, minha última esperança de que seu olhar baixo veja meu desesperado pedido. Não sei mais o que fazer. A chuva segue lá fora, plic plic, eu encho meu quarto de fumaça, e um vizinho louco chama os bombeiros. Água, muita água, e eu realmente penso que deveria estar do seu lado agora. Porque, juntos, nós nos esqueceríamos desse céu cheio de buracos vazando, vazando, vazando... Eu pararia de andar em círculos, num movimento desanimado e mecânico. Juntos, faríamos tudo desaparecer, até que só restasse a chuva, até que não restasse nada, até que só restasse eu e você.
Mas eu não sei por onde você anda, então eu só posso escrever, enquanto a água enche o mundo lá fora e eu me aperto num casaco.
Eu sinto saudade. Disse isso depois de fechar os olhos e deitar no colo de Joana. De pensar que as coisas poderiam estar caminhando em linha reta, ao invés dessa corda bamba que é o meu amor exagerado. Que eu poderia ter pedido que você ficasse comigo por um tempo exageradamente longo, enquanto eu te amolava com meu amor cheio de manias e cansaços, mas eu só fiz apagar o cigarro, bater os pés no chão, tirando a poeira, e te dei adeus. Com uma frieza jamais imaginada, jamais sentida, que nunca existiu aqui, em mim, e em nenhum outro lugar. Fico inventando coisas. Acho que é essa minha valentia forçada que me faz fechar os olhos e tão somente esquecer. O pior de tudo é que eu realmente esqueço. Não importa quantas vezes isso seja preciso, tudo some. Só me resta um rosto feliz e conhecido. Por isso as pessoas dizem que eu sou boba por ainda gostar dos que fizeram a maior das sacanagens comigo. Não é loucura, é que eu as esqueci. As pessoas, claro.
Ela me olhou com seus olhos castanhos-enigmáticos, e eu me perdi dentro dela. Daquele jeito que só ela gosta, que só ela pede, só ela abusa. Beijou-me a boca, e calou meu abraço com seu corpo molhado e frio de água do mar. Estava salgado, pude sentir quando meus lábios tocaram seus seios. Derreti suas manhas, evaporei suas gotas. Ela me atiça, me provoca, e depois ignora. Tem uma pele cor de areia da praia. Quente. Rígida. Mais parece uma pintura, essa minha doce menina, quando deita em meu sofá, vestida com minha camisa azul desabotoada, fingindo esconder sua nudez. Ontem deitou em meu colo, fechou os olhos e disse para eu beijá-la. Esperta. Fiz carinho em sua boca, com a minha, e ela sorriu aquele sorriso gostoso, com um sabor que é só pra mim. Não sei porquê ela ainda tenta adivinhar meu futuro, com aquela pose de cigana, fazendo um sotaque que só me faz rir. Ela bem sabe: meu futuro está todo em suas mãos.
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— E sabe o que é mais legal nisso tudo?
— O quê?
— A gente ainda tá junto.
Não lembro quem fechou os olhos primeiro, só lembro de ter sentido toda a sua energia pelo meu corpo, fervendo poro a poro... e eu te amei. Deslumbrada, eu te amei. Docemente, como eu imaginei que seria. Feito um bicho carente e felpudo, me arrastando pelo seu corpo. Centímetro por centímetro. Deslumbrada, eu te amei...
(Sabe aquela sensação de estar ligada a alguém, ter obrigações e um abraço pra se afundar? Pois é... a mágica do brilho nos olhos, do andar arrastado pra que a despedida seja segundos depois do horário marcado, das mãos que se conhecem tão perfeitamente, como se fossem criaturas que se conhecem antes de existirem. Mas o ruim é a sensação de fazer viver algo que não existe aqui, e em lugar nenhum. Por isso o meu olhar baixo. Eu não estou triste, só estou pensando em como dizer.'.)
Estar com você provoca em mim reações
que eu nunca vou conseguir te explicar.
Te adoro! ^^
Fui deitar chorando. Não bastasse ter ligado pra ele - o que já me deixa com uma insônia insuportável -, bebi umas xícaras de café. É incrível: você ama uma pessoa, planeja eras ao lado dela, e a vida vem te provar que nada é como você pensa. Que você é só uma gota sem rumo no meio de uma onda de vinte metros.
[...]
Mas a gente sempre se recupera. Chora, grita, implora, faz um papel ridículo, mas sempre esquece no final. E se as pessoas não voltam, Si?. E outras loucuras suas, que agora fazem o maior dos sentidos. Não importa o quanto isso tá me ferindo agora. Eu sei que vai passar. Eu sei que eu vou conseguir. Eu vou conseguir te esquecer... Me esquecer das promessas de ser tua, desse amor que me arde aqui dentro.
Amanhã eu vou sair pra beber.
"Não, eu não tenho tempo para perder com você logo agora. Eu não te quero mais, e é justamente isso que me provoca, me chama para junto de você nas horas mais improváveis e patéticas. Você tem noção do quanto o amarelado daquelas fotos me sufoca aos pouquinhos, me lembrando da merdinha que eu sou? Tuas frases feitas, tuas noites perfeitas. E eu fico triste de repente. Merda de vida. E eu falo isso como se estivesse com uma garrafa na mão, olheiras enormes, fedendo a cigarro; mas eu pareço completamente bem em frente ao computador, ouvindo Cazuza. Minhas roupas estão limpas, meu corpo está ileso, minhas tarefas estão organizadas. E por dentro essa podridão infinita, como se este corpo estranho que estivesse possuindo minha alma. Mil cacos, mil chances, mil palavras para uma única mulher que não vale por mil. O que passa na sua cabeça? Onde você está agora? Já te disse que nem estou mais tão cansada depois dessa tristeza toda? Eu já te disse que você devia ser feliz bem longe daqui, para que eu não tivesse nem mais desculpa pra não te esquecer?"
Ruth.
Eu já te disse?
[tudo mentira]
[Diz que eu fiz algo errado, pra que eu tenha coragem de te olhar só mais uma vez. Diz que a ideia não foi boa, que cada um deve seguir o que achar melhor... talvez assim eu esqueça de tudo o que passou. Do quanto eu te amo e do quanto isso me dói. Me faz esquecer que eu tô chorando agora, toda doida. Diz que não me quer... senão eu não vou conseguir te esquecer.]
"Aquelas malditas luzinhas tremeluzentes eram tudo. Você dormia ao lado. E você não me conhecia; e eu não conhecia você – Mas havia algo de divino em observar-te dormir. Tua existência, naquele momento, era uma responsabilidade só minha. Deixei que meus dedos tocassem os seus bem devagarzinho, e com os olhos semi-cerrados, respirei em seus olhos.
A madrugada corria, o ônibus também. Ah, você parecia tão cansada. Havia aquela pequena ruga do lado esquerdo do rosto, sobre a qual eu não tinha muita certeza: não seria apenas marca de expressão?
E você com certeza sonhava. E eu sonhava com você, a diferença é que não estava dormindo."
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As coisas mudam, os caminhos se cruzam - me dão aquela felicidade absurda -, e depois se separam novamente, até que não se possa alcançá-los no horizonte. As flores nascem, trazem aquele perfume delirante e um sabor tão doce que eu atravessaria mundos pra encontrá-la. Depois se secam, e deixam na terra fria vestígios da minha felicidade. Você me olha, e me deixa tonta, nessa emoção absurda que sua presença me traz. Você se despede, depois, com o mesmo brilho nos olhos, e não se pode mais te ver, em lugar nenhum... e eu continuo a pensar em ti. Feito uma menina boba, feito uma fera louca... eu continuo a pensar em ti.
O dia tinha tudo pra ser normal. Acordei naquele tempo preguiçoso de chove-não-molha e fui pro inglês. Mas a volta tinha tudo pra fazer meu dia ser melhor do que o que os meus pensamentos pretensiosos eram capazes de alcançar.
Ter você dá um novo tom de vida à minha pele. O meu corpo ri sozinho e se entrega à sua força esmagadora que me puxa, feito um tornado. Uma onda de emoções, um temporal que não cansava de existir e me deixar perdida nos teus gestos, na tua fala, no doce tom em que meu nome era chamado, diversas vezes, até cansar...
O nosso olhar de cumplicidade, a nossa calma, o meu descaso, dormir e sonhar no teu abraço acolhedor... milhões de vezes... Até que o céu ficasse negro e brilhante. Até que aquela colcha negra nos acolhesse e nos fizesse suspirar de amor. Um amor idealizado e simples. Um amor adormecido e já esquecido, mas que ressuscitou, nos trazendo à superfície dos seus segredos. Me encaixar perfeitamente no seu sorriso, e me entorpecer naquele som, naquele tom, em tudo feito pra mim. Sentir a sua calma fervendo meus poros e me deixando completamente imóvel.
Ah, meu bem, não sei o que o destino nos reserva. Não sei se nos perderemos um do outro assim, de novo, pelo ar. Mas eu quero te guardar em mim. Em algum lugar que ainda não sei. Porque eu quero me lembrar de você, do movimento lento da tua pele, da cor mágica dos teus olhos... Quero tornar eterno. E, por favor, não sorria desse jeito pra ninguém, com esse brilho nos olhos que é só meu. E eu prometo que vou me proteger do frio.
Vem andar comigo...
[pra você... obrigada por me deixar lembrar de tudo o que foi bom... você é especial.]
Dia frio e sujo, extraído de um céu negro, quase vazando pela minha cabeça.
Voltar do inglês debaixo da chuva, passar uma hora no ponto de ônibus e perder três.
Molhar a barra da calça e esquecer completamente o que ia fazer depois de fechar os olhos.
Tudo tinha fugido do meu controle, sim, enquanto eu pensava em modos de te fazer
lembrar do que era conveniente pra mim. Eu era uma droga, mesmo. Você estava certo,
Joana disse, enquanto fazia um café muito doce.
...Nada me trazia mais paz que voltar pra casa.
Eu não deixaria você ir embora se eu soubesse que eu desejaria ardentemente que você voltasse. Bastou a nossa despedida pra que eu desabasse em angústia, me sentindo o resto do resto de qualquer matéria suja, desprezível. Doeu te ver se arrastando por corpos disformes e vazios. Me doeu não saber aonde você estava. Que a nossa ligação havia sido rompida. Rompida de um jeito horrível, dolorido. E eu chorei nos ombros de alguém a sua falta. Eu reconheci de joelhos o quanto eu precisava das suas mãos tirando a areia dos meus pés. A falta que eu sentia de ter você só pra mim. O seu abraço me envolvendo... envolvendo esse bicho felpudo e peludo.
E pensando em você, sentindo saudade dos maravilhosos momentos que nem vivemos, me deu uma vontade louca de fumar um cigarro sozinha. Mesmo que eu tenha parado há meses. Mesmo que eu nunca tenha fumado, até.
(Era a chuva ou alguma outra coisa que eu não soube identificar. Fazia seus olhos ficarem negros, depois verdes, e depois no meu tom. E ia de encontro à sua fala, ao seu corpo em leve movimento, que só depois de um segundo é que eu percebi que te olhava fixamente. Ah, se os caminhos não fossem tão diferentes. Eu poderia te abraçar sem qualquer confusão, e nossos corpos se entrelaçariam em amor. Mas o mar não está pra rosas.)
... O que resta é cinza. Mas, enquanto isso, eu vou continuar sentindo o gelo imutável da sua pele, e sorrir com isso.
Bateu uma saudade hoje... acho que é a chuva e a rua alagada. A solidão de cada gota caindo do céu em ruínas. O peso das nuvens diminuindo a cada segundo. Mas céu continua negro. Negro como o cavalo que sonhei dias atrás. Um céu negro e lustroso. As pessoas caindo por cima das outras, e dizendo que aquele caos emocional tá super na moda. Que prostituir o amor e vendê-lo por míseros segundos é coisa natural, boa. Quero é fugir de tudo isso. Pular no seu abraço e voar por aí. Pra qualquer lugar num quarto em que sejamos só nós dois. Eu e a sua carne quente. O bem que ele me faz...
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz.
Parecia que as coisas estavam fora do lugar. O tempo aparecia como um vento forte, e levava pra longe o cheiro de cigarro que me rondava. Você enrolava as pontas do meu cabelo em seus dedos, fazia todas aquelas promessas que eu ouvi muitas vezes, à noite, deitada na cama. Te ouvi jurar amor eterno, quando eu sabia que eram promessas vazias. Te vi fazer planos, mas que não seriam mais que isso: planos. Alguém cantava, bem longe, o meu jazz. Moonlight and love songs never out of date.. Mas tudo estava, mesmo, fora do lugar... Eu só estava sonhando acordada, de novo, enquanto eu via seu sorriso no meu portarretrato. Louis se calou, e eu voltei a escrever.