Fazer estrelas

What do stars do? They shine.

Eu deveria ter sido forte o bastante, menos egoísta. Mas eu não conseguia te soltar. Não importou muito a quantos grãos tudo tinha sido resumido. É dessas coisas que não tem uma explicação lógica aceitável. Só se sente e puxa, persegue. Mesmo eu tendo me sentindo aquele trapo depois de todas as lágrimas, era impossível deixar passar. Eu não ligo se o mundo se quebrar em milhões de pedaços. Eu sei que com você tudo ficará bem.

Eu sequer sei por onde começar. Foram tantos os caminhos pelos quais nós dois andamos, juntos, olhando sempre na mesma direção, a passos trôpegos, mas felizes. É... Meu homem está crescendo. Eu queria te dizer tanta coisa, como, por exemplo, sobre o jeito meigo como você me olha. O suor frio que escorre pelos seus dedos e penetra nos meus. Sobre como as horas caminham lentamente quando nossos corpos estão naquela sincronia perfeita. Mas eu só consigo dizer que eu te amo. Mesmo daquele jeito sofrido, com a consciência de que eu nunca vou poder te roubar pra mim. Quinze anos, quinze vitórias, quinze fracassos. E eu com meu humilde, porém suficiente, um: você.

Feliz aniversário, Gui.
Te amo pra sempre.

Sua, por todos os segundos do sempre,
Clarice.

Eu não poderia ter deixado passar em branco. Não, mesmo, já que o dia havia sido devastado por um interminável furacão. Eu sentaria com você em qualquer lugar e faria piada de tudo isso. Dos seus dezenove anos. Seus dezenove tombos. Seus dezenove erros. Seus dezenove (estou sendo generosa?) amores. Eu sei que você riria de tudo isso, fumando um cigarro. Eu sei que você encostaria seu corpo frágil, e já cansado de tantos amores, no meu. Sim, eu sei, porque eu faria o mesmo. Eu contaria, sem muitos esforços, dezenove motivos que me prendiam a você. Dezenove juras que te fiz, no silêncio da brisa noturna. Dezenove sonhos. Dezenove desejos. Dezenove vidas ao seu lado... Juntas, poderíamos pular dezenove ondas e inventar dezenove idiomas diferentes pra dizer, em cada um deles, que você a amava, deixando de lado a dor que surgiria em mim, tendo que assumir isso. Dezenove segundos, o espaço entre os nossos beijos que nunca sairiam dos meus planos. Eu beijaria dezenove partes do seu corpo, e, na última, diria dezenove vezes: eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo. Está tudo bem, princesa, pode se levantar e apagar as velas.

Parabéns! :)

Foi então que eu senti a dor de Si. Aquela coisa gigante te puxava pra longe, feito um aspirador de pó. E você ia pra perto, cada dia mais um pouco. O que eu poderia fazer? Acabou. Eu repeti baixinho, durante um tempo insuportavelmente longo: acabou, acabou, acabou. É, precisava ser verdade.

"Olho para trás. Eu tinha te dito sobre sua importância, e era absolutamente verdade."

Era difícil a forma como eu sentia saudade. Um frio com o qual ursos polares não se acostumariam. Me encolhi depressa, com fones no ouvido, em som máximo, e cantarolei com Chico. Todo dia, ela faz tudo sempre igual. Depois eu chorei, pra não fugir à regra dos meus rituais: cama, música, chuva e meu lado emocional descontrolado. Mas não era isso que eu queria te dizer... a saudade me movimentava, de alguma forma, me levava até você. E eu sorri no meio daquela chuva toda. O doce sorriso de saudade, que faz eu te sentir tão perto.

[quanta bobagem, viu?]

Ainda te quero, bolero, nossos versos são banais..

Não me acostumei, ainda, com essa ideia de que o tempo deve ser marcado nos movimentos arrastados dos ponteiros do relógio. E também com a ideia de te perder. Eu me sentia fria e desconfortável a cada segundo que aquilo se tornava mais provável, possível... Era o destino mais assustador que eu já havia pensado em ter. Se eu tivesse alguma escolha, certamente te puxaria pra bem perto. E faria tudo o que nossos olhares subjetivos já nos denunciaram querer. Tá, tudo bem, que seja bobagem tudo isso. Ando, mesmo, com medo de te perder. Talvez seja esse o motivo do meu mau humor. Mas lágrimas nunca me arderam tanto...

Não sei se eu ainda te esqueço de fato...

Destila ingredientes inflamáveis da emoção. Resignação dos crentes, com a audácia dos ateus (...) Porque eu me entreguei.

Eu me pus a sorrir, incontrolavelmente, parecendo uma louca, com o frio da sua presença que me aquecia. Eu sabia que poderia encontrar conforto. Eu poderia fazer o que quisesse, pra ser sincera, e isso me fazia parecer estranha. Mas era cômodo, duro e frio. Exatamente o tipo do qual meu corpo se agradaria. Mas não era certo. Não era certo eu esconder as minhas reais intenções entre palavras sem sentido. Não era certo fazer aquele jogo que, muitas vezes, fizeram comigo e eu perdi. Perdi e chorei. Mas era confortável... e aquilo me fez cuspir no meu corpo, desprezivelmente. No que eu havia me transformado? - perguntei ao outro, dias atrás. Eu tinha, mesmo, medo de descobrir...

Eu segurei suas mãos e pedi, por diversas vezes, que fosse diferente. E tudo passou como um filme: nós, cheios daquela cumplicidade invejável, nos esquecendo de tudo. E meus olhos se encheram de lágrimas, porque eu percebi aquilo que, até então, só eu não sabia: eu havia te perdido. Como eu perdia todos os dias, quando você me levava em casa, e me dava beijos cada vez menos densos. Eu podia te sentir bem longe, mesmo estando ali, tão perto. Soltei suas mãos já calejadas de todas as minhas tardes, de todos os meus erros, de todas as minhas vontades... e fui, ainda me arrastando. Tudo havia acabado, ali, definitivamente.

E quando eu vi a morte de frente, parei e corri, tudo ao mesmo tempo - entende? - E te vi pedindo baixinho pra que eu me salvasse. "Fuja, corra, se esconda." E aquele alvoroço me fez ficar espremida por debaixo da porta, chorando e reclamando por ter tido a ponta do meu dedo perfurada. Depois, eu não sabia se ria da minha tolice, ou se chorava, agradecida, porque estava segura. Ou se me afundava naquele alcool todo, que àquela altura, já tinha me deixado ensopada. Machucada, apavorada, espremida, sozinha e bêbada. Você daria risadas, se tivesse ficado até o final.

Eu não entendia, de jeito nenhum, o porquê do meu corpo se acertar a cada movimento arrastado e preguiçoso do relógio. Expectativa idiota, como se aquilo nunca tivesse acontecido antes. Bobagem minha, quando o meu aconchego estava bem ao meu lado, inteiramente disposto a cobrir meus caprichos com horas longas de puro mimo. E eu lembrei da Si, pensei no quanto ela acharia aquilo idiota, e me olharia com aquela cara de desprezo.

[só não entendi sua pergunta... não sou mais a única que sente cheiro de cigarros?]

Eu não esperava... Engraçado que as melhores coisas que me acontecem são quando eu simplesmente não as espero. Como naquela tarde em que você me ligou e disse que estava chegando. Ele me deixou desarmada com todo aquele cheiro de cigarro - mesmo que ele não fume há meses, mas o cheiro não saiu - preso àquele abraço. Foi estranho como o tempo não passou naquele momento. Só depois de o dia ter virado é que o soltei, definitivamente. Ando pelos corredores e os sussurros tão peculiares que me acompanham há anos me deixam trêmula e gaga de uma forma vergonhosa. Logo eu, que sempre tenho algo a dizer, e estou sempre auto-confiante. Sempre. Mas aquele cheiro... me prende e me desarma. Inteira.

- Aí ano que vem...
- Cara, esquece, a gente nunca mais vai se ver.

Você não sabe, mas essa frase, dita tantas vezes, e que eu ainda vou ouvir muito, me retalha inteira. Deve haver alguma maneira de reverter isso. Mas não é possível, seu cabeça dura! Você não pode negar, assim, tudo o que nós vivemos. O envolvimento dos nossos corpos, nossas almas que se completavam, feito gêmeas. Você não pode ir embora, assim, sem me levar junto. Sem fazer meu corpo ser puxado pelo seu, ainda que por quilômetros inteiros... Era você, então eu juro que esqueceria toda aquela dor roendo meu corpo. Eu, você e nossos planos... Eu nunca vou esquecer, amor.

Eu quero te roubar pra mim...

[em resposta a todos esses mimos feitos por você.. te amo tanto!]

Aproveitando a deixa...

Eu te perdia até mesmo quando você chegava... Cada passo dado em minha direção te deixava mais longe. E me doía forte, lá no fundo, porque aquela cena, repetida por diversas vezes, não se encaixava em todas as minhas idealizações. Talvez eu sonhe demais, sussurrei, enquanto penteava meu cabelo lentamente, me preparando para assistir mais uma vez todo aquele espetáculo. Eu tentava, incansavelmente, te resgatar... mas eu te perdia... sempre. Pensando bem, talvez você nunca tenha me pertencido.

Saudade da sua respiração morna nos meus ombros gélidos... Saudade da verdade contida nos teus beijos... Saudade da confiança que nascia a cada toque... Saudade de todas aquelas noites... Saudade de todas as madrugadas com ruídos mágicos... Saudade dos nossos corpos...

Saudade de todos os dias nos quais meus devaneios tornaram-se tangíveis...

Saudade - que sangra.

Eu queria conseguir esquecer o teu calor que me escorria pela pele e me retalhava inteira, como uma suicída. Correr incansavelmente pela cidade, pra não deixar que as lágrimas escorressem. Mas eu não conseguia. Eu era tão impotente, tão fraca, em se tratando de você - e nós. Eu só conseguia vasculhar meu guarda-roupas e procurar uma borracha, pra apagar tudo. Eu odeio a sua parte que me penetra lá no fundo, a ponto de me deixar sem reação, imóvel. Que invade meus espaços, me deixa aos pedaços e depois me refaz, tranquilamente. Eu estava em paz quando você chegou... E agora não consigo parar de revirar as horas, a procura de algum segundo só teu, no qual eu possa me sentar e te sorrir. Me dói o fato de eu estar sempre aqui, mesmo sem saber se você continua aí. Me dói mais ainda saber que eu não me importo se você não está. Eu só me importo em estar aqui, te esperando.... sempre.


Aquilo que eu não sei o nome
Aquilo que só me desnuda.

Aquilo que me cerca
Aquilo que me desfaz.

Teu coração de gelo-ferido
Que a cada dia me faz chorar mais.

(desculpa pela rima idiota... é que a verdade nunca é boa.)

- E aí?
- O que? - perguntei, sem entender.
- Como... como ele é? - Karina perguntou, sem jeito.
--- Fiz silêncio e perguntei isso a mim mesma. ---

Ah, ele tem muito de todas as coisas boas. Foge à perfeição, claro, mas é uma exceção à regra. É carinhoso e distante em quantidades contraditórias demais, que eu nem faço questão de entender. Ele tem um abraço que me cerca, me faz tremer lá no fundo. Tem um beijo que mais parece feito de gotas de mel. Quando ele me olha, faz desaparecer qualquer dúvida, encobre qualquer imperfeição. Quando ele sorri - não qualquer sorriso, aquele feito apenas pra mim -, desperta em mim um desejo cada vez mais forte. Quando ele me ama, bem do nosso jeito, me faz sentir - e ter certeza que sinto - o meu maior dom, meu melhor presente divino: o amor paciente. Com ele eu não conto as horas. Eu acordo bem no meio da noite e faço seu rosto transbordar de beijos e sussurro um eu te amo tão real quanto é meu corpo. Ele é aquele por quem eu sempre esperei. Por quem eu entregaria cada gota do meu sangue. Quem desperta em mim toda minha possessão, meu calor, minha simpatia, meu ciúme - aos litros, prontos pra venda -, meu carinho, meu zelo... Com quem eu viveria uma vida inteira, e seria capaz de criar uma máquina do tempo, pra viver tudo novamente. Quem faz questão de entrar na minha vida - sem piadas sobre o Regis - e de me abraçar nos meus momentos de tristeza. Quem, acima de tudo, me ama e tem todo o mais correspondido. Ele é ele. Dono do meu coração - com toda a "breguice" contida nessa afirmação hahaha -, do meu amor, do meu corpo... O conhecedor de todos os meus segredos, meus medos, minhas incertezas. Aquele por quem eu, certamente, daria tudo o que eu tivesse pra fazê-lo bem. Ele é o dono de todas essas letras e das minhas canções. Por quem eu, infinitamente, estou apaixonada. E quero pra mim. O único que me completa absurdamente bem. Quem me dá, a cada manhã, dúzias de motivos para amá-lo mais.

- Ah, ele é um bom homem.
- Mas assim, tão simples?
- Ora essa, Kah, não tente complicar as coisas. Tome logo esse sorvete.

[Gostei de te "esconder", assim. Dá um toque de mistério. É um sabor delicioso.]

Eu te amo.

Minha mulher, meu amor, meu lugar...

Eu não sabia o que dizer, como fazer... Só quis te olhar. Desculpa.

Fica comigo esta noite...
e preenche o vazio que
ficou nos meus braços,
entre a pele e os ossos

Fica comigo esta noite...
e me deixa ferver o teu
sangue, sentir em meu ventre
sua presença firme e quente

Fica comigo esta noite...
e me faz dissolver em
sussurros, rezar tua
prece

Fica comigo esta noite...
e me faz lembrar de todo
o teu céu, de todo o prazer,
de toda a dor

Fica comigo esta noite...
e não pense em voltar;
me envolve no teu corpo,
no teu calor

Fica comigo esta noite...
e me faz esquecer...

Fazer Estrelas

Era uma conversa de irmãs blogueiras - aquela conversa de quem não quer nada, só companhia pra passar o tempo. Sobre seus blogs, há pouca coisa que elas amam mais. Família, namorados (cada uma tem o seu, certo?)... e o que mais mesmo?De vez em quando, aquela vontade de escrever uma coisa qualquer só porque quis. Mas não no seu blog.Aquela vontade de dividir um texto.Surge uma idéia.Um blog para dois. Pra viagem, por favor.

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