Hoje foi um daqueles dias que passam tão rápido, que a gente só percebe que aconteceram depois que acabaram. E aconteceu uma coisa importante hoje. Então é disso que eu vou falar.
Eu consegui resolver o meu problema interno com David. Tenho pensado muito nele nos últimos dias; é uma lembrança forte e pesada, que vem acompanhada de uma certa tristeza. Foram dois anos e três meses de relacionamento, mas devo confessar que os três últimos foram difíceis de aguentar. Eu passei muitas noites acordada, algumas até ao lado dele (que só agora sabe disso), e chorava sem parar, porque eu já conseguia ver que o fim estava próximo. No fim, eu saí bem machucada disso tudo, tropeçando, e soluçando. A Decepção e o Choro eram meus amigos mais próximos. Depois eles me apresentaram o Perdão, quem eles odiavam. E foi o perdão, junto com o Amor, que lavaram meu coração de toda a dor e decepção. Eu já não sentia repulsa ou mágoa, no exato momento em que os dois me abraçaram. Pude pensar em David sem sentir as lágrimas queimarem meus olhos. Sem me arrepender do dia em que tudo começou. Então, finalmente, eu pude perdoá-lo. Simplesmente eliminei tudo o que havia de ruim, e deixei os momentos bons tomarem todo o espaço. Nós não nos falamos há dias, por opção minha, mas eu gostaria muito que ele soubesse de tudo isso. Que ele recebesse meu abraço amigo de novo. Mas eu só desejo que ele fique muito bem, e fique novamente com a mulher que ele realmente ama. Aline... outro nome que o Amor e o Perdão me permitiram ouvir com calma e serenidade.
Talvez David já esteja com alguém, ou apaixonado novamente. E posso dizer, do fundo do meu coração, que isso não me incomoda. Eu só espero que ele tenha aprendido o real significado da palavra amor; que não se resume apenas ao contexto de um quarto, uma cama, e duas pessoas. O amor acompanha a paciência, a fidelidade, a compreensão, o carinho, o desejo, a presença, a calma; o amor não deixa que o orgulho seja maior que ele, não mente, assume seus erros, e, acima de tudo: ama verdadeiramente e dura até o fim. Amor, amor, amor. Eu corria pela casa gritando esse nome. Hoje só posso ver sua sombra no meio de um passado mal resolvido e triste. Mas eu sigo em frente, que esse ciclo não pode parar.
Boa sorte, David.
Ontem eu estive lendo na aula, como uma boa rata de livros que sou. Ontem eu li e não pude fugir das suas lembranças que corriam pelas linhas, e eu ficava cada vez mais louca com o seu perfume saindo do livro e vindo diretamente para o meu nariz, me dando uma estranha sensação de prazer incômodo. De pensar que nós sentávamos no banco da praça, meia-noite, uma lua ofuscante, e conversávamos bobagens; nos amávamos com uma paixão quente e doce, e quando saíamos eu ficava com aquele desejo ardente de voltar e repetir tudo. Até que eu chegava em casa e você sussurrava no meu ouvido: "levanta, vem pra cama." E eu te puxava em mim, por outras vezes. Mas, de repente, uma luz grossa e densa me sugou pra fora, e eu fui caindo; abismo após abismo, e me perdi naquela imensidão. Não sei em que momento exatamente o tudo se contorceu. Mas eu não estou exatamente disposta a melhorar as coisas.