Eu contava os segundos pra te encontrar na praça. Te encontrar e me tranquilizar no teu abraço; e o cheiro de cigarro na tua pele até me dava algum conforto. De pensar que você sempre foi tão importante, como se o teu sorriso pudesse ser eterno no meu ombro. Ah, você e as eternidades.. e eu me perdia, sempre.
Hoje passei por lá, sabe, e o cheiro da tua ausência me perturbou mais do que eu previa. Fomos tantos em nós mesmos, e os nossos olhares se comunicavam sem qualquer dificuldade. E eu descobri que sentia saudade. Sentia saudade do Rodrigo de sobrancelhas grossas e cigarro sempre na mão. Do cara que me olhava com um carinho doce, como se tudo aquilo fosse eterno.
Não, não era pra ser um desses blues que eu ando cantarolando por aí, cheios de todos os amores que tive, e daqueles que criei. Era pra te deixar mais perto, e rir dessa minha mania de não rimar nada com nada. Talvez porque as coisas fiquem melhor do jeito que são, com suas imperfeições e passados tristes. Porque quando você sorri no meu ombro, enquanto conserta a nota que errei de propósito, tudo congela, e fica aquele momento frio e eterno, como uma fotografia.
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E hoje nos encontramos, como fazemos todos os dias, na esquina da tua rua. Bom, não tenho razões para acreditar nisso, mas, sempre que te olho, tenho a esperança de que você tenha percebido que me ama. Sim, porque somos capazes de passar horas falando sobre as coisas que gostamos, sem sermos chatos. Porque, bom.. porque eu te quero muito bem, então não há mal em você me querer, não acha?
Hoje, primeiro de abril, e me encosto no teu ombro. Eu te amo... Ah, como eu gostaria que fosse uma mentira..