Às vezes eu me perco nos meus próprios pensamentos. É uma desorganização profunda, como se tudo quisesse respirar ao mesmo tempo.
Eu nunca consigo resistir quando uma paixão surge, de repente, tão clara e ofuscante, na minha porta. Acho que fico rindo das minhas próprias tolices e sento numa poltrona, assistindo a cena.
A paixão é tão fria quanto doce, mas eu fico tentando evitá-la; e corro solta pela cidade, ouvindo um blues, parando aqui e acolá, pra beber um gole d'água.
Mas o toque denso e fundo, o cheiro fresco de um quase-amor me vence sem muito esforço. Eu sempre salto da cama, abro a janela e fico olhando a lua-cheia.
Sabe, deu vontade de te escrever. Ficar preenchendo as linhas com seu cheiro, sua voz, e não deixar que saibam. O bom é que posso ficar horas falando bobagens, criando cenários, e terminar com aquela sensação gostosa de ter estado, realmente, com você. Não que isso tenha sido pura imaginação minha. Mas, ah, é tão bom inventar coisas. Sair correndo pela chuva com você, esconder meu rosto no seu pescoço, bordar uma flor, fotografar o infinito... Momentos tão bons, que acho que quero passar o tempo inteiro sonhando.
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"Atrevidos! Arrogantes! (...) Tendo os olhos cheios de adultério, e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza. Abandonando o reto Caminho... Se extraviaram do reto Caminho...Filhos Malditos."
Andrey AOC.
"Perdoa, quando eu disse Te servir
Me servindo de você, maculando Teu altar
E dizendo ser pra Ti, mas querendo
Ter pra mim a glória
Perdoa, se de mim me orgulhei
Esquecendo quem sou eu,
Desprezando quem és Tu.
Eu sou barro e sou pó, e o tesouro que há em mim
É Teu, Senhor.
Perdoa, me desfaz e me refaz,
Mas não deixe que eu me perca
Em minhas vaidades.
Perdoa, ressucita-me pra Ti,
Quero estar no centro de Tua vontade.
Me perdoa, me livra de mim mesmo."
Perdoa - Ministério Trazendo a Arca
Foi assim… Num lindo dia de primavera, os pássaros cantavam, as borboletas voavam e eu me lembro exatamente...
Mentira. Não aconteceu assim, não. Só… aconteceu. Como acontece quando você conhece alguém e com o tempo ficam amigos. Sabe como é esse negócio de ‘com o tempo’, né? Faz ideia de quanto tempo faz que nos conhecemos? Um tempão!
Tem, tipo… uns cinco anos. Ou seis? Ihhh, eu lembro que era uma pirralhinha de nada. Bobinha que só. Às vezes eu pego uma das minhas agendas antigas e não sei se eu morro de rir ou de vergonha. Eu tava naquela fase de paixões platônicas e tinha acabado de mudar de cidade.
Ele era um garoto chato e metido e tinha um casinho com a minha melhor amiga. Um romance que não andava nem desandava. E eu morria de ciúmes da minha amiga. Vai ver por isso que achava ele tão chato. Vivia atrás dessa minha amiga, até em umas horas bem inconvenientes. Acabou que o romance terminou antes de começar.
E foi aí que começou a nossa amizade. Foi assim, ‘com o tempo’. Com a convivência, quando a gente se conheceu de verdade. Quando começou o nosso relacionamento, como amigos. E quer saber? Eu não sei dizer quando foi que o amor apareceu. Porque não aconteceu de uma vez. Aconteceu aos pouquinhos, durante o ano de 2008. Um sentimento que cresceu em silêncio, até não caber mais dentro do corpo. É isso. Não dá pra dizer quando o amor bate à porta. A gente só percebe que chegou quando ele já está lá, instalado e acomodado.
16 meses – (2.infinito)²
Engraçado como tudo me pega de surpresa. Não é nada agradável você andar a semana inteira com o guarda-chuva na bolsa e, justamente no dia em que você tira, chove.
Tive uma surpresa maravilhosa dias atrás. Uma pessoa voltou pra minha vida. Meu, fazia quanto tempo, desde que trocamos o primeiro "oi"? Puxa, dois anos. Quase três! E, ah, é tão bom te ver entrando pela porta, o olhar meio tímido, a manga da camisa bem passada, a voz em tom suave, como se ele estivesse com medo de acordar um anjo... E eu me senti feliz. Estranhamente feliz. As veias borbulhavam, o sangue corria numa velocidade incrível... Ah, como é bom ter você de volta! :)
Jô.
"Veio até mim, quem deixou me olhar assim? Não pediu minha permissão. Não pude evitar, tirou o meu ar, fiquei sem chão. Menino bonito, menino bonito, ai.."
- Sabe o que me faz falta?
Sentei ali mesmo na praça e fiquei pensando. Falta das mãos macias, do bom dia, do abraço, do beijo, do amor, da calma, da praça, das músicas, das noites... sinto falta do amor. Já pensei tantas e tantas vezes em voltar atrás, em desistir; e, caramba, eu choro todas as vezes. Porque uma coisa tão bonita fica brincando de se desfazer aos poucos. Eu penso no tempo, na história, em você... me sinto estranha, porque tenho a sensação de estar empatando você. E você sequer nota essa turbulência toda que acontece aqui dentro. Fica aí, debruçado na sua janela, tomando seu café, e o meu mundo aqui, desabando aos poucos, pedra por pedra, uma caindo sobre a outra... e você sorri, alucinado.
"Eu estou bem. Na verdade, estou meio gripada e sozinha. A casa é grande, e faz barulhos estranhos à noite."
Então fechei a porta e fui correndo pela chuva.
