Chovia bastante. Dei uma última olhada, e ele dormia, imóvel, na cama que por anos foi nossa. Fechei a porta com cuidado, e desci pelas escadas. Os quadros na parede, as roupas espalhadas pelos móveis; tudo, tudo denunciava nosso passado. As xícaras borradas do nosso café, os lembretes por toda a casa. Vou chegar tarde; O almoço tá na geladeira; Eu amo você. Era triste deixar nosso lar depois de tantos anos dormindo sobre os mesmos lençóis, entrelaçando as pernas exatamente do mesmo jeito... mas me faltava algo. Acho que me faltava ele, e esse era todo o problema. Juntei minhas roupas, guardei os quadros no porão, joguei minha xícara no lixo. E mais um, o último recado colado na porta.
"Eu estou bem. Na verdade, estou meio gripada e sozinha. A casa é grande, e faz barulhos estranhos à noite."
"Eu estou bem. Na verdade, estou meio gripada e sozinha. A casa é grande, e faz barulhos estranhos à noite."
Junker
Então fechei a porta e fui correndo pela chuva.
Então fechei a porta e fui correndo pela chuva.

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