Palavras são pontos vazios, se você só diz quando não há saída. Assim como os corpos deitados na cama são apenas corpos, quando estão ali somente por não haver outra opção. É que cada rabisco me faz lembrar você. Desculpa. Suspiros inoportunos, e João me perguntou o que estava acontecendo. É que ele não era você, esse era todo o problema. Bem que eu queria que fosse. Às vezes, só à vezes... Ele me abraçava e eu sentia uma estranha forma de prazer. Pensei que eu era canalha, mesmo, por sentir sua falta e desejar a todo segundo que ele trocasse de lugar com você. Era a mesma coisa com Marcus. Tanta confusão, e eu pensava que ia explodir. Fagulhas de João me tocaram, e eu saí arrasada, murmurando palavras que acho melhor não te dizer. Mas tudo isso é uma grande bola de inutilidade. Eu posso culpá-lo por ele ter uma boca tão quente? ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Marcus me ligou ontem, e senti uma imensa vontade de desligar na cara dele. Em fúria disfarçada, perguntei se estava tudo bem, docemente. Meu vidro embaçou. Meus poros já estavam borbulhando. Não tinha sido feito pra eternizar. Há uns dias li a carta. A sua carta. E tudo parecia tão irreal, que eu quase queimei, junto com o urso e seus rastros. Talvez eu estivesse nazi demais, como naquele dia, então resolvi deixá-los no mesmo canto empoeirado. Palavras de amor são desnecessárias. Você sabe.
Signo Natalino
Há 4 meses
0 comentários:
Postar um comentário
Faça estrelas você também!