Ela acordou com os olhos sendo pressionados por uma dor infernal. Gotas frias de suor escorriam pelos seus seios, rolavam até sua cintura e descansavam em seu ventre. Foi só mais um sonho ruim, pensava, enquanto seus lábios sussurravam o nome daquele cara. Quem a entregou ao vício. Lembrou-se da conversa dos dois, das palavras mal ditas. Malditas, que a fizeram tragar. Amor repicado, pura obsessão. Me desculpe, estava escrito no espelho de seu banheiro, com batom vermelho. Ele gostava de surpreendê-la. Mais ainda de pôr nos seus lábios um gosto vermelho qualquer. Ele sabia que a teria em outros segundos; minutos, quem sabe? Eram unidos por um amor miserável. Aquele que dá e pede. E se não recebe, sangra. Ela apagou o vermelho de seu vidro e deixou que a ducha quente aliviasse a pressão de seus olhos, esquentasse as gotas de desespero presas ao seu ventre. E passou seus dedos no vidro, escrevendo no vapor: eu te perdôo.
Signo Natalino
Há 4 meses
2 comentários:
Nossa, muito bom!
Quase deu pra sentir no meu ventre o desespero.
Beijos!
que mentira.
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