Fazer estrelas

What do stars do? They shine.

Ou A 109ª conta.

Sentei em frente ao computador sem saber como começar a escrever sobre os meus sentimentos desorganizados, que me inflamaram durante este fim de semana inteiro. Eu me sentei num daqueles puffs confortáveis do meu curso de inglês (mais conhecido como "última tentativa para o futuro"), e me dispus a ler Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert. Parei, atônita, quando ela começou a falar de seu casamento completamente destruído, um divórcio complicado e David. Um típico jovem americano que ela amava tão ferozmente quanto um leão que tenta sobreviver no meio de uma dificuldade mortal. Passei a observar David, a analisar seu relacionamento com quem eu, intimamente, chamo de Beth. Ele era um bom homem, bom amante, romântico, paciente e amável. Beth era uma senhora de 34 anos de idade, que estava mergulhando em depressão, e ancorava seus sentimentos nas mãos daquele nobre rapaz. Dei um sorriso vergonhoso, e me pus a chorar incontrolavelmente, enquanto bebia café e lia este seguinte trecho, por inúmeras vezes: "Enquanto tudo de invencível que um dia se mantivera de pé ia-se tornando uma avalanche fumegante de ruínas (...) e foi então que eu vi o outro lado do meu herói romântico (...) estou entrando em uma espiral de pânico, como sempre entro quando não sei o que fazer (...) Não sei dizer se isso faz de mim uma cabeça-dura que está prejudicando a si mesma, ou uma cabeça-dura que está preservando a si mesma." Foi então que todos os pedaços partidos do meu coração se uniram em prece, e pediram a Ele, ao Ser Supremo, que me fizesse entender o porquê de eu estar enfrentando essa história toda. Será que eu deveria fazer o mesmo que Elizabeth, e não fazer de David meu escape, ou seguir a sugestão de David e "vivermos juntos e infelizes, pra não vivermos infelizes por não estarmos juntos"? Eu realmente não soube me responder, então fechei os olhos e olhei meu coração tão abarrotado de sentimentos que contradiziam entre si.

A você, Amor, quem me embalou nos Seus braços de ternura e repreensão doce, e tratou das minhas feridas com uma dedicação jamais vista em um humano repleto de falhas. A Você eu agradeço por me ouvir em minhas madrugadas, a dissipar meus medos e dizer: "eu amo você, não importa pelo que você esteja passando. Eu sou em você, e você está em mim. Não tenha medo, minha filha, feche os olhos que Eu estarei aqui." Obrigada por me abençoar com a Sua presença nos meus dias, a ver a confusão dos meus dias e dizer: "Não é assim, venha cá, eu te ajudo." Por me ouvir muitas vezes, ainda que eu não tivesse nada a dizer além de "você pode sentar aqui comigo?". Eu me lembro dos momentos mais inusitados nos quais você esteve comigo. Obrigada, Amor. Obrigada, Deus. Obrigada, Força. Obrigada, Amigo.


Te ver ao meu redor assim, me pega de surpresa, e eu não sei onde ancorar... ter você tão perto e não poder te olhar nos olhos, pegar suas mãos e dizer que te amo, tão docemente, como fazíamos há meses atrás, como loucas, correndo pela rua. Certas coisas não se apagam nunca, como se tivessem energia extra pela eternidade, você disse, e eu achei bobagem, te chamei de louca, até. Só hoje entendi da energia que você falava. Como se esse amor fosse uma espécie de luz inesgotável que, de tão brilhante, nos fazia rir juntas por tardes inteiras, enquanto eu fazia carinho na sua bochecha e olhava seu rosto tão lindo e doce depois do choro.

Ah, meu amor, o que eu não daria pra ter o seu rosto entre as minhas mãos de novo? E o seu sorriso doce? E a sua voz, quase num sussurro? E as suas pernas entrelaçadas nas minhas ao dormir? Diz o que eu não daria pra poder te tocar de novo e te dizer mais uma vez que eu te amo.

(... um amor tão doce...)

O que me motiva a escrever, dessa vez, não é dor inventada, pra florear minha saudade. É algo real, é perda, é amor.

Ah, se eu pudesse voltar no tempo, e te arrastar por mais uma vez pra mim. Fazer meu o seu corpo, e te dar o meu, te dar o eu, junto com tudo o que tenho e sou. Lembrar com você das nossas noites secretas, me fazer refletir em ti; meu amor, meu homem, minha paz. Ah, se a confusão dos meus dias se tornasse só detalhe diante de tamanho amor e vida. Amor e vida que, juntos, contruímos, vivemos, nos alegramos. Bom seria o seu amor repousar em mim novamente, o seu calor, a sua paz... Mas a vida nos passa a perna, e nos vemos diante dessa escuridão infinita. Eu só posso sair daqui com você...

eu estou num corpo estranho.

Quando dou por mim, estou completamente jogada na cama, buscando um meio de te trazer pra perto. É que as coisas mudaram, sinto cheiro de sangue e abro a janela. De novo, água, muita água lá fora. E eu já não acho tão necessário a sua presença densa, derretendo os meus ossos.

.... talvez eu ainda não tenha acordado.

Eu fico perseguindo calçadas. Procurando algum lugar seco nessa chuva inteira a que a minha vida se resumiu. Não encontro um descanso. Só uma imensa rua alagada, com pessoas pisando em poças e molhando o meu rosto. Sempre penso que poderia ser pior, então pego um lenço e me seco. E continuo olhando as pessoas passarem por mim, bonitas e felizes, com toda aquela pressa, sem ao menos me notar, sentada no chão úmido. Até aqueles que cobriram meu nome com um "para sempre" passam por mim sem dizer uma palavra. Eu tentei chamá-los, mas tudo soou como uma frase que cai no chão e produz um som oco. Um som que invadiu aquela água inteira, e me molhou, também. Então eu parei e pensei nele. Em como eu estaria segura naquele abraço quente e que me invadia bem fundo. Mas até ele passou por mim com pressa, e só me lançou um olhar baixo. Água, muita água, e eu realmente penso que deveria estar do seu lado agora. Mas se você seguiu em frente, o que eu posso fazer?

De pensar que as coisas mudaram muito desde quando eu tinha cinco anos. Eu era muito mais feliz. Tinha um gato que me visitava todos os dias, quando eu chegava da aula. Eu guardava comida pra ele toda noite, e na manhã seguinte passávamos horas brincando. Eu tinha um sentimento real por ele. Coisa de criança, mesmo. Num dia, eu esperei e ele não apareceu. No outro, a mesma coisa. Só então é que eu entendi que as pessoas iam embora. Não importava quanto amor e cuidado você tinha, elas partiam. Simplesmente nos olhavam pela última vez, aquele olhar meio caído, e nos davam as costas. Sem explicações, muitas vezes. E prometi a mim mesma, àquela criança, que eu tomaria cuidado pra não me aproximar de ninguém. Criança tem uma inocência assustadora, só hoje vi. Eu nunca consegui me livrar do frio que a partida das pessoas me causava. Nunca.


Pra desencanar dessa história toda, não existem princesas. Mas vamos imaginar que sim...
Se eu fosse uma princesa, mandaria polir meu castelo dia após dia, esperando sua chegada. Eu seria a mais feliz, e você o príncipe - ou sapo, pouco importa - mais aguardado. Eu dormiria todos os dias esperando suas pedras doces batendo em minha janela. Teceria uma longa e forte corda pra chegar até você, quando fosse a hora de nos conhecermos e cruzar nossos olhares. Se eu fosse uma princesa, me faria tua amante secreta. De todas as noites, de todas as cortes, de todos os lugares reais e recônditos.
Se eu fosse uma princesa, sentaria à beira do meu riacho preferido, e te esperaria chegar para me encontrar. Num cavalo branco, pouco me importa. Em forma de príncipe, sapo, plebeu, menos ainda. Se eu fosse uma princesa real, te mostraria que a mágica do amor pouco depende de circunstâncias externas. O amor apenas é. E eu, princesa ou não, faço questão de valer esse sentimento em mim. E meu riacho espelha a minha espera enquanto você vem por esse caminho que eu nunca andei, mas que, um dia, se cruzará com o meu.
(em resposta. Te amo)

Fazer Estrelas

Era uma conversa de irmãs blogueiras - aquela conversa de quem não quer nada, só companhia pra passar o tempo. Sobre seus blogs, há pouca coisa que elas amam mais. Família, namorados (cada uma tem o seu, certo?)... e o que mais mesmo?De vez em quando, aquela vontade de escrever uma coisa qualquer só porque quis. Mas não no seu blog.Aquela vontade de dividir um texto.Surge uma idéia.Um blog para dois. Pra viagem, por favor.

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