A ele, que já não sei por onde anda, mas que deixou marcas finas em mim.
Era quando a realidade não acompanhava os sonhos. Eu sonhava, e seus olhos
abertos me traziam à realidade de que sonho sempre seria sonho. Eu não sabia
mais o que te dizer, e continuo não sabendo. Vou escorrendo pelos seus dedos
feito água, enquanto outras mãos me aparam. Não me faça, não, sentir aquela pena
irreparável. Sentir você ser puxado pra longe. Mas eu também preciso de braços
quentes. De companhia durante a noite. Da sua pele delicada e quente na minha,
sem separação. Sem palavras. Só o seu calor esmagando meus poros. Só o seu prazer
na minha carne. Só a sua voz espalhada pelo meu corpo. Só a certeza de que você
é meu. Só o nosso gozo sem fim. Mas seus olhos abertos me traziam à realidade fria
e dura: tudo não passaria de sonho.
A você, carne da minha carne.
Era a chuva ou alguma outra coisa que eu não soube identificar. Fazia seus olhos ficarem negros, depois verdes, e depois no meu tom. E ia de encontro à sua fala, ao seu corpo em leve movimento, que só depois de um segundo é que eu percebi que te olhava fixamente. Ah, se os caminhos não fossem tão diferentes. Eu poderia te abraçar sem qualquer confusão, e nossos corpos se entrelaçariam em amor. Mas o mar não está pra rosas.
As cores de cabeça pra baixo, sempre.
E eu me prendo dentro de você... sempre, meu amor.
14:35
Uma explosão de raiva. Um rompante de stress.
Abalada. Atônita. Atordoada.
Uma vontade de chorar.
15:00
Você me pergunta o que aconteceu.
Uma vontade sufocante de chorar.
15:05
O que é importante pra mim não te interessa nem um pouco.
E eu me senti tão injustiçada...
E aquela vontade de chorar.
15:07
Você é muito difícil de conviver.
Apenas diferente de você. Gostaria de viver com uma cópia sua?
Sim!
E as primeiras lágrimas descem, contra a minha vontade.
15:15
Parti.
O caminho de volta para casa mais dolorido.
Mais penoso.
Mais molhado.
Salgado.
15:45
O anel que tu me destes.
Talvez queira dar a quem que se pareça contigo.
E eu não sabia que podia chorar tantas lágrimas. Soluços.
16:00
Um socorro. Uma amiga. Uma irmã.
Sinto minha roupa já encharcada.
Sim, encharcada das lágrimas que chorei por ti.
19:00
E eu já nem quero te ver pintado de laranja.
Meus olhos ardem.
21:30
Teu cinismo.
Teu modo de agir como se nada tivesse acontecido.
Talvez para você nada tenha acontecido, realmente.
Repugnância.
Me enoja este teu jeito de lidar com nosso problema.
22:28
Nada ainda se resolveu.
Você não pôde conversar. Não olhando nos meus olhos.
Ainda nada de você, em lugar algum.
Por dentro, eu queimo. Dor.
Por fora, eu choro. Amor?
E a rosa estava seca. Como eu estava, deitada em minha cama, ouvindo One. Sim, eu gostava de me maltratar. Gostava de lembrar de quão doce e quente era a sua pele. De quão firmes eram seus braços, me cercando lá no fundo. De quão certos estávamos daquela perfeição momentânea. Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga, nem teu quase amor. Ou sou tudo, ou sou nada... Não suporto meio termo. E ainda mais, Clarice. E corri os dedos pela rosa seca, porém viva, que repousava em meu ventre. Só pude perceber a leveza do sangue que escorria pelos espinhos. Não suporto meio termo. E as lágrimas desceram, me cortando devagar, em contraste com o vermelho-sangue.
Era "O inverso dos dias", Si.
Eu estava relendo meus diários, e deu pra ver o quanto as coisas mudam. O quanto tudo se confunde a ponto de dar um nó.
"É... Quem vê, pensa que é fácil... Bem que eu queria que fosse, mas é bem difícil, viu? =/ Poderia bastar apenas uma palavra, mas não basta. A única solução é esperar." (desculpa, menino, se o tempo foi longo demais..)
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E você, meu amor. Sim, você sabe quem é. As coisas mudam, viram, reviram, e a gente permanece aqui, aonde tudo começou. Não tem jeito... Eu me controlo, mas esses pensamentos estão sempre aqui. Você está sempre aqui, imutável. E o gosto curioso da sua pele vem me dizer tudo o que eu ainda não sei... [presente... N9ve]
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E, pra fechar... pra você, minha delícia. Te achei no meu diário, também. Pena que os tempos não eram bons...
"Cada palavra que você dizia, cada gesto, cada olhar... Tudo isso não passou de uma grande ilusão! Durante todo esse tempo eu estive aqui... Pronta pra te dar todo o amor e carinho. Um sorriso, um abraço, um beijo. Mas agora só o que me resta é a saudade e a dor. A saudade de te dar meu sorriso. E a dor de não poder mais dizer eu te amo."
Fim.
Fechem portas, ponham guisos...
Não é que eu tenha sentido saudade. Ou talvez tenha sentido, ainda não sei. Eu só lembrei de você. Do seu toque denso. Do dia cinco. E até do dia primeiro. Do violão e do esmalte vermelho. Do telefone e do coração doce. Da saudade incontável. Das fugas e das noites. Do amor infantil e bem humorado. Das viagens frias. Das estrelas mal contadas e distorcidas. Das noites de chuva. Das poças d'água no seu olhar. Das muitas coisas que foram ditas. Dos sons, dos risos, de tudo. Sim, era saudade. E daquela que me desnorteava.
Eu vou te encher com todo o meu céu. Preencher o vazio do teu sorriso com minhas estrelas. Não diz, não, que tudo é uma questão de tempo. Que a estação vai passar e a vida vai secar. Eu ainda sei. Ainda sei bem como preencher as linhas, como tocar o mar com a sua mão. Meu corpo ainda vibra, ainda se retorce, e a canção que escorre entre nossos corpos me diz que a chuva vai passar. Vem, menino, e diz que comigo é o seu lugar. Diz, sim, que o passado já não importa. Os seus sonhos ainda são ditos a qualquer um, em qualquer lugar, com qualquer sorriso. Mas vem, deixa eu te acalmar. Deixa eu aquecer seus temores. Deixa eu viver... viver pra você. E a vida que cresce em mim fará laços com a eternidade.
"Quero que desprendas de qualquer temor que sintas.."
[obrigada pela ideia, Râni, rs.]