Fazer estrelas

What do stars do? They shine.

O que me motiva a escrever, dessa vez, não é dor inventada, pra florear minha saudade. É algo real, é perda, é amor.

Ah, se eu pudesse voltar no tempo, e te arrastar por mais uma vez pra mim. Fazer meu o seu corpo, e te dar o meu, te dar o eu, junto com tudo o que tenho e sou. Lembrar com você das nossas noites secretas, me fazer refletir em ti; meu amor, meu homem, minha paz. Ah, se a confusão dos meus dias se tornasse só detalhe diante de tamanho amor e vida. Amor e vida que, juntos, contruímos, vivemos, nos alegramos. Bom seria o seu amor repousar em mim novamente, o seu calor, a sua paz... Mas a vida nos passa a perna, e nos vemos diante dessa escuridão infinita. Eu só posso sair daqui com você...

eu estou num corpo estranho.

Quando dou por mim, estou completamente jogada na cama, buscando um meio de te trazer pra perto. É que as coisas mudaram, sinto cheiro de sangue e abro a janela. De novo, água, muita água lá fora. E eu já não acho tão necessário a sua presença densa, derretendo os meus ossos.

.... talvez eu ainda não tenha acordado.

Eu fico perseguindo calçadas. Procurando algum lugar seco nessa chuva inteira a que a minha vida se resumiu. Não encontro um descanso. Só uma imensa rua alagada, com pessoas pisando em poças e molhando o meu rosto. Sempre penso que poderia ser pior, então pego um lenço e me seco. E continuo olhando as pessoas passarem por mim, bonitas e felizes, com toda aquela pressa, sem ao menos me notar, sentada no chão úmido. Até aqueles que cobriram meu nome com um "para sempre" passam por mim sem dizer uma palavra. Eu tentei chamá-los, mas tudo soou como uma frase que cai no chão e produz um som oco. Um som que invadiu aquela água inteira, e me molhou, também. Então eu parei e pensei nele. Em como eu estaria segura naquele abraço quente e que me invadia bem fundo. Mas até ele passou por mim com pressa, e só me lançou um olhar baixo. Água, muita água, e eu realmente penso que deveria estar do seu lado agora. Mas se você seguiu em frente, o que eu posso fazer?

De pensar que as coisas mudaram muito desde quando eu tinha cinco anos. Eu era muito mais feliz. Tinha um gato que me visitava todos os dias, quando eu chegava da aula. Eu guardava comida pra ele toda noite, e na manhã seguinte passávamos horas brincando. Eu tinha um sentimento real por ele. Coisa de criança, mesmo. Num dia, eu esperei e ele não apareceu. No outro, a mesma coisa. Só então é que eu entendi que as pessoas iam embora. Não importava quanto amor e cuidado você tinha, elas partiam. Simplesmente nos olhavam pela última vez, aquele olhar meio caído, e nos davam as costas. Sem explicações, muitas vezes. E prometi a mim mesma, àquela criança, que eu tomaria cuidado pra não me aproximar de ninguém. Criança tem uma inocência assustadora, só hoje vi. Eu nunca consegui me livrar do frio que a partida das pessoas me causava. Nunca.


Pra desencanar dessa história toda, não existem princesas. Mas vamos imaginar que sim...
Se eu fosse uma princesa, mandaria polir meu castelo dia após dia, esperando sua chegada. Eu seria a mais feliz, e você o príncipe - ou sapo, pouco importa - mais aguardado. Eu dormiria todos os dias esperando suas pedras doces batendo em minha janela. Teceria uma longa e forte corda pra chegar até você, quando fosse a hora de nos conhecermos e cruzar nossos olhares. Se eu fosse uma princesa, me faria tua amante secreta. De todas as noites, de todas as cortes, de todos os lugares reais e recônditos.
Se eu fosse uma princesa, sentaria à beira do meu riacho preferido, e te esperaria chegar para me encontrar. Num cavalo branco, pouco me importa. Em forma de príncipe, sapo, plebeu, menos ainda. Se eu fosse uma princesa real, te mostraria que a mágica do amor pouco depende de circunstâncias externas. O amor apenas é. E eu, princesa ou não, faço questão de valer esse sentimento em mim. E meu riacho espelha a minha espera enquanto você vem por esse caminho que eu nunca andei, mas que, um dia, se cruzará com o meu.
(em resposta. Te amo)

Há certas coisas que você prefere não ouvir. Lâminas que escorrem pelos olhos, em forma de lágrimas, e te retalham inteira. Você se acha a pessoa mais louca do mundo, e a mais sã. Você tenta, foge, corre... muda ao máximo quem você é e no final seu mundo colide (obrigada, linda). Você se vê diante de uma corda fina, e embaixo só tem água. Uma água negra. Em cima, um céu azul e ensolarado. Você não sabe o que fazer. Abaixa e olha a água convidativa lá embaixo. Milhares de gotas que se fundiam e formavam uma imensa colcha negra e felpuda. Lá em cima o céu. Tão brilhante e reconfortante. Lá, sim, lar e paz. Você olha para a corda, e então decide pular. Descobre que pode voar e é recebido por nuvens brancas e fofas.

(Não é fácil, e eu choro só de pensar no que virá daqui pra frente. Foi preciso e continua sendo. Desculpa por tudo. Pelos meus erros, meus abraços e meus beijos... Tudo foi uma tentativa de dizer que eu te amava. Te amei de um jeito que não poderia, e tratei de esquecer isso logo. Desculpa por ter te magoado e feito o que você não merecia: te dei adeus quando você menos esperava - e eu não podia! Te feri e te puxei pra perto de mim. Te disse minhas mentiras, e te escondi minhas verdades. Não fui correta. Mas eu te amei, droga. E agora eu preciso te dar adeus... Ainda que isso me custe lágrimas e esse nó na garganta que não se desfaz.. Me desculpe, eu te amei.)

Eu te amo...

Seu eterno bicho felpudo.

Você parece tão à vontade nesse mundo de imperfeições aonde nós caímos. Parece não perceber as forças que nos puxam, fazendo desabar uma chuva quente e que dá vontade de cair. Meu erro foi ter me apaixonado por você. Não, eu não deveria. Era arriscado demais, sujo demais pra alguém como eu. O segundo foi ter te tocado. (Você me dá febre...) Depois do toque, o mundo girou em cinzas, e meus dias só se passavam quando você me beijava delicadamente. Por favor, posso ver o sol de novo?

(... não sei o que anda acontecendo. Eu venho trocando recordações com o presente. Já não sei mais se estou vivendo uma vida politicamente correta... que inferno, quer fazer o favor de ficar bem? Eu ainda te qu(esp)ero.)

Fazer Estrelas

Era uma conversa de irmãs blogueiras - aquela conversa de quem não quer nada, só companhia pra passar o tempo. Sobre seus blogs, há pouca coisa que elas amam mais. Família, namorados (cada uma tem o seu, certo?)... e o que mais mesmo?De vez em quando, aquela vontade de escrever uma coisa qualquer só porque quis. Mas não no seu blog.Aquela vontade de dividir um texto.Surge uma idéia.Um blog para dois. Pra viagem, por favor.

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