- Aí ano que vem...
- Cara, esquece, a gente nunca mais vai se ver.
Você não sabe, mas essa frase, dita tantas vezes, e que eu ainda vou ouvir muito, me retalha inteira. Deve haver alguma maneira de reverter isso. Mas não é possível, seu cabeça dura! Você não pode negar, assim, tudo o que nós vivemos. O envolvimento dos nossos corpos, nossas almas que se completavam, feito gêmeas. Você não pode ir embora, assim, sem me levar junto. Sem fazer meu corpo ser puxado pelo seu, ainda que por quilômetros inteiros... Era você, então eu juro que esqueceria toda aquela dor roendo meu corpo. Eu, você e nossos planos... Eu nunca vou esquecer, amor.
Eu quero te roubar pra mim...
[em resposta a todos esses mimos feitos por você.. te amo tanto!]
Aproveitando a deixa...
Eu te perdia até mesmo quando você chegava... Cada passo dado em minha direção te deixava mais longe. E me doía forte, lá no fundo, porque aquela cena, repetida por diversas vezes, não se encaixava em todas as minhas idealizações. Talvez eu sonhe demais, sussurrei, enquanto penteava meu cabelo lentamente, me preparando para assistir mais uma vez todo aquele espetáculo. Eu tentava, incansavelmente, te resgatar... mas eu te perdia... sempre. Pensando bem, talvez você nunca tenha me pertencido.
Saudade da sua respiração morna nos meus ombros gélidos... Saudade da verdade contida nos teus beijos... Saudade da confiança que nascia a cada toque... Saudade de todas aquelas noites... Saudade de todas as madrugadas com ruídos mágicos... Saudade dos nossos corpos...
Saudade de todos os dias nos quais meus devaneios tornaram-se tangíveis...
Saudade - que sangra.
Eu queria conseguir esquecer o teu calor que me escorria pela pele e me retalhava inteira, como uma suicída. Correr incansavelmente pela cidade, pra não deixar que as lágrimas escorressem. Mas eu não conseguia. Eu era tão impotente, tão fraca, em se tratando de você - e nós. Eu só conseguia vasculhar meu guarda-roupas e procurar uma borracha, pra apagar tudo. Eu odeio a sua parte que me penetra lá no fundo, a ponto de me deixar sem reação, imóvel. Que invade meus espaços, me deixa aos pedaços e depois me refaz, tranquilamente. Eu estava em paz quando você chegou... E agora não consigo parar de revirar as horas, a procura de algum segundo só teu, no qual eu possa me sentar e te sorrir. Me dói o fato de eu estar sempre aqui, mesmo sem saber se você continua aí. Me dói mais ainda saber que eu não me importo se você não está. Eu só me importo em estar aqui, te esperando.... sempre.
Aquilo que eu não sei o nome
Aquilo que só me desnuda.
Aquilo que me cerca
Aquilo que me desfaz.
Teu coração de gelo-ferido
Que a cada dia me faz chorar mais.
(desculpa pela rima idiota... é que a verdade nunca é boa.)
- E aí?
- O que? - perguntei, sem entender.
- Como... como ele é? - Karina perguntou, sem jeito.
--- Fiz silêncio e perguntei isso a mim mesma. ---
Ah, ele tem muito de todas as coisas boas. Foge à perfeição, claro, mas é uma exceção à regra. É carinhoso e distante em quantidades contraditórias demais, que eu nem faço questão de entender. Ele tem um abraço que me cerca, me faz tremer lá no fundo. Tem um beijo que mais parece feito de gotas de mel. Quando ele me olha, faz desaparecer qualquer dúvida, encobre qualquer imperfeição. Quando ele sorri - não qualquer sorriso, aquele feito apenas pra mim -, desperta em mim um desejo cada vez mais forte. Quando ele me ama, bem do nosso jeito, me faz sentir - e ter certeza que sinto - o meu maior dom, meu melhor presente divino: o amor paciente. Com ele eu não conto as horas. Eu acordo bem no meio da noite e faço seu rosto transbordar de beijos e sussurro um eu te amo tão real quanto é meu corpo. Ele é aquele por quem eu sempre esperei. Por quem eu entregaria cada gota do meu sangue. Quem desperta em mim toda minha possessão, meu calor, minha simpatia, meu ciúme - aos litros, prontos pra venda -, meu carinho, meu zelo... Com quem eu viveria uma vida inteira, e seria capaz de criar uma máquina do tempo, pra viver tudo novamente. Quem faz questão de entrar na minha vida - sem piadas sobre o Regis - e de me abraçar nos meus momentos de tristeza. Quem, acima de tudo, me ama e tem todo o mais correspondido. Ele é ele. Dono do meu coração - com toda a "breguice" contida nessa afirmação hahaha -, do meu amor, do meu corpo... O conhecedor de todos os meus segredos, meus medos, minhas incertezas. Aquele por quem eu, certamente, daria tudo o que eu tivesse pra fazê-lo bem. Ele é o dono de todas essas letras e das minhas canções. Por quem eu, infinitamente, estou apaixonada. E quero pra mim. O único que me completa absurdamente bem. Quem me dá, a cada manhã, dúzias de motivos para amá-lo mais.
- Ah, ele é um bom homem.
- Mas assim, tão simples?
- Ora essa, Kah, não tente complicar as coisas. Tome logo esse sorvete.
[Gostei de te "esconder", assim. Dá um toque de mistério. É um sabor delicioso.]
Eu te amo.
Minha mulher, meu amor, meu lugar...
Eu não sabia o que dizer, como fazer... Só quis te olhar. Desculpa.
Fica comigo esta noite...
e preenche o vazio que
ficou nos meus braços,
entre a pele e os ossos
Fica comigo esta noite...
e me deixa ferver o teu
sangue, sentir em meu ventre
sua presença firme e quente
Fica comigo esta noite...
e me faz dissolver em
sussurros, rezar tua
prece
Fica comigo esta noite...
e me faz lembrar de todo
o teu céu, de todo o prazer,
de toda a dor
Fica comigo esta noite...
e não pense em voltar;
me envolve no teu corpo,
no teu calor
Fica comigo esta noite...
e me faz esquecer...