Fazer estrelas

What do stars do? They shine.

Quando você corta um pedaço bonito e brilhoso de fita, sua reação imediata é chorar qualquer lágrima que seja, e depois guardar os pedacinhos. E foi exatamente isso que aconteceu comigo, quando olhei para o espelho e vi o quanto eu estava precisando descansar. Minhas noites mal dormidas deixaram manchas fundas debaixo dos meus olhos, formando uma espécie de bolsa roxa. Eu estava pálida, os cabelos presos num rabo-de-cavalo havia dias. Eu não quero mais estar casada. Aquela voz dentro de mim falava, cada dia mais alto. Era uma confusão de sentimentos sem fim, meu travesseiro estava ensopado, e eu queria... não estar casada.
Eu sentia vontade de fazer muita coisa e nada ao mesmo tempo. Vontade de correr e fugir depressa daquilo tudo. E uma vontade esmagadora de permanecer chorando no chão do banheiro. E foi o que eu, covardemente, fiz. Os muitos motivos pelos quais eu não queria mais estar casada com aquele homem são pessoais demais e tristes demais para serem compartilhados aqui. Muitos deles tinham a ver com coisas minhas, mas uma boa parte dos nossos problemas tinham a ver também com as questões dele. Isso é natural; afinal de contas, há sempre duas pessoas em um casamento – dois votos, duas opiniões, dois conjuntos conflitantes de decisões, desejos e limitações. Também não discutirei aqui todos os motivos pelos quais eu ainda queria ficar casada com ele, nem todas as suas características maravilhosas, nem os motivos que me fizeram amá-lo e me casar com ele, nem os motivos pelos quais eu era incapaz de imaginar minha vida sem ele. Não vou abrir nenhuma dessas gavetas. Basta dizer que, naquela noite, ele ainda era, em igual medida, meu farol e minha ave de mau agouro. A única coisa mais inconcebível do que ir embora era ficar; a única coisa mais inconcebível do que ficar era ir embora. Eu não queria destruir nada nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem consequências, e depois só parar de correr quando chegasse à Groenlândia. Às vezes tenho a impressão de que quando eu disse "Sim", Clarice Lispector escreveu no mesmo instante: "No mais fino e doido de seu sentimento ela pensava: Vou ser feliz."

1 comentários:

Hoje lembrei de ti.Mas não fechei um único pensamento a respeito disso. Gostei de fechar os olhos e lembrar de você com as pernas dependuradas na beirada da cama, sentindo o sangue preso pulsar no meu corpo. Enquanto pensava em como te contar isso e em como não conseguia fechar um único pensamento a respeito disso.

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Era uma conversa de irmãs blogueiras - aquela conversa de quem não quer nada, só companhia pra passar o tempo. Sobre seus blogs, há pouca coisa que elas amam mais. Família, namorados (cada uma tem o seu, certo?)... e o que mais mesmo?De vez em quando, aquela vontade de escrever uma coisa qualquer só porque quis. Mas não no seu blog.Aquela vontade de dividir um texto.Surge uma idéia.Um blog para dois. Pra viagem, por favor.

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