– O que você tá fazendo?
– Escrevendo minha vida, meu roteiro, que é pra eu não me perder.
– Mas você vive assim, toda programada?
– Sim.
– Por que?
– É pra eu não cometer erros. Ou tentar minimizá-los ao máximo, pelo menos.
– Mas isso não é certo. Onde ficam as surpresas da vida, os caminhos tortos pelos quais seguimos depois de um copo de loucura?
– Elas ficam neste outro papel.
– Qual?
– Este, tome.
– Mas... ele tá em branco.
– Pois é esta a surpresa.
– Não entendi.
– Este papel é metade de minha vida. E esse deixo em branco, que é pra o destino escrevê-lo com sua caneta invisível, pra eu eu não veja e queira seguir diferente. Você, por exemplo, está aí.
– Então eu não fui programada?
– Não. Você faz parte destas minhas surpresas. Se eu soubesse que estaria aqui, fumando um cigarro do teu lado, eu teria te apagado da minha folha.
– Por que?
– Primeiro porque estou fumando. Segundo, porque este teu sorriso me faz querer ficar aqui pra sempre... e eu não posso.
E depois, me beijou.
Signo Natalino
Há 7 meses
5 comentários:
existem várias desculpas para um beijo.
existem várias desculpas para um beijo. [2]
adorei seu texto.
uma típica conversa adolescente-cult.
(:
seu ponto de vista é melhor e maior que já vi parabéns adorei!!!!bjs angela
Amei a criatividade, Rute!
Ps.: estou tentando acompanhar/entender essa "Angela", a começar pelo teu repouso.
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