Fazer estrelas

What do stars do? They shine.

Ah, a imensidão desses meses que me separam de você. Eu queria muito conseguir escrever uma coisa legal, sabe, mas só sei escrever a palavra saudade. Palavra que me amassa, me retorce, depois me lança no fogo.
Mas, ah, amor, é tanta coisa. Tanta coisa que dá vontade de chegar junto, repartir um suspiro, alongar um filme; cama fria e corpo quente. E eu olho pra trás. Sempre olho. É lá que eu te encontro. Olhos fechados, os pensamentos entretidos no corpo. O seu; aquele que, contigo, forma apenas um. Sem falha, sem espaço; apenas um.
Por isso eu digo que sinto saudade. Palavra pequena, mas que traduz com simplicidade essa coisa que me acompanha desde que me tornei uma apenas comigo.

Se eu caísse e me machucasse, você saberia como me consertar? Se eu saísse e me perdesse, você saberia aonde me encontrar? Se eu esquecesse quem sou, você poderia me lembrar? Ah, porque sem você as coisas ficam nebulosas.

Saudade.


"Se eu fosse escrever um livro sobre você, ele teria apenas duas páginas: apresentação e agradecimentos." Sara Mazuco

I've got sunshine on a cloudy day
When it's cold outside
I've got the month of May
I guess you'd say
What can make me feel this way...
My girl... talking about my girl..

Eu queria poder descrever como me senti quando você disse "volta pra mim?". Talvez nem tenha sido tão máximo assim... mas seu olhar, ainda que eu não estivesse vendo, com certeza foi como aquele primeiro que eu vi: de alguém que me amava. Do contrário, não estaríamos juntos meeesmo. Eu, meu ciúme, você e seu jeito. Mas, ah, o amor... ele transforma tudo, limpa tudo, renova tudo, que eu me sinto como da primeira vez em que você me beijou. Ah, e então eu lembro do que passou. Como tenho saudade de quando você me olhava nos olhos e me amava. Nossas noites andando pelo condomínio, a praça. Ah, a praça... como eu me senti segura com você, enquanto aquele homem chegava cada vez mais perto de nós, falando aquelas bobagens todas. Cada pequeno gesto seu, que passava despercebido (por ti), era um motivo pra eu ficar com aquela sensação de estar pisando nas nuvens.
Ah, como eu amo você... cada momento, cada briga, cada beijo, cada amor (só nosso)... posso viver essa vida, e ainda outras, passar por todos os problemas de novo, só pra terminar o dia nessa felicidade absurda; que é ser de alguém, ter alguém, um amor, que é ter você.

Eu te amo.

Eu não entendo o porquê de as pessoas fazerem essa festa toda no ano novo. Comemoram o que? A morte do passado? A sua própria morte a cada maldito segundo, nesse mundo de catástrofes? Eu corro e morro; corro e morro a cada instante, e não faço essa festa toda. Pelo contrário, arrasto o relógio e vou preguiçosa pelo tempo. Quase nunca tenho algo a dizer quando me desejam bom dia. Pisco os olhos e finjo um sorriso. Acham que não sei que só querem meu sangue.

Hoje foi um daqueles dias que passam tão rápido, que a gente só percebe que aconteceram depois que acabaram. E aconteceu uma coisa importante hoje. Então é disso que eu vou falar.

Eu consegui resolver o meu problema interno com David. Tenho pensado muito nele nos últimos dias; é uma lembrança forte e pesada, que vem acompanhada de uma certa tristeza. Foram dois anos e três meses de relacionamento, mas devo confessar que os três últimos foram difíceis de aguentar. Eu passei muitas noites acordada, algumas até ao lado dele (que só agora sabe disso), e chorava sem parar, porque eu já conseguia ver que o fim estava próximo. No fim, eu saí bem machucada disso tudo, tropeçando, e soluçando. A Decepção e o Choro eram meus amigos mais próximos. Depois eles me apresentaram o Perdão, quem eles odiavam. E foi o perdão, junto com o Amor, que lavaram meu coração de toda a dor e decepção. Eu já não sentia repulsa ou mágoa, no exato momento em que os dois me abraçaram. Pude pensar em David sem sentir as lágrimas queimarem meus olhos. Sem me arrepender do dia em que tudo começou. Então, finalmente, eu pude perdoá-lo. Simplesmente eliminei tudo o que havia de ruim, e deixei os momentos bons tomarem todo o espaço. Nós não nos falamos há dias, por opção minha, mas eu gostaria muito que ele soubesse de tudo isso. Que ele recebesse meu abraço amigo de novo. Mas eu só desejo que ele fique muito bem, e fique novamente com a mulher que ele realmente ama. Aline... outro nome que o Amor e o Perdão me permitiram ouvir com calma e serenidade.
Talvez David já esteja com alguém, ou apaixonado novamente. E posso dizer, do fundo do meu coração, que isso não me incomoda. Eu só espero que ele tenha aprendido o real significado da palavra amor; que não se resume apenas ao contexto de um quarto, uma cama, e duas pessoas. O amor acompanha a paciência, a fidelidade, a compreensão, o carinho, o desejo, a presença, a calma; o amor não deixa que o orgulho seja maior que ele, não mente, assume seus erros, e, acima de tudo: ama verdadeiramente e dura até o fim. Amor, amor, amor. Eu corria pela casa gritando esse nome. Hoje só posso ver sua sombra no meio de um passado mal resolvido e triste. Mas eu sigo em frente, que esse ciclo não pode parar.

Boa sorte, David.


Quero fundir meu corpo
no teu corpo junto ao meu.
Nos teus braços serei cega
pra que sejas o meu guia.
Nós seremos a matéria,
nosso amor será a energia.
.
Se esse amor me modifica,
me transforma, me edifica,
se ele afeta tanto a mim,
também te transformará.
A energia desse amor
afetou-nos para sempre,
e a matéria que hoje somos
outra matéria será.
.
Seremos dois novos amantes
pelo amor energizados,
transformados,
mas em quê?
Quem eras antes de mim?
Quem sou depois de você?
.
(Pedro Bandeira - A marca de uma lágrima)
.
(ao jardineiro que cuida e rega a rosa, dia após dia; aquele por quem, certamente, valerá a pena todo o esforço e paciência da espera)

Ontem eu estive lendo na aula, como uma boa rata de livros que sou. Ontem eu li e não pude fugir das suas lembranças que corriam pelas linhas, e eu ficava cada vez mais louca com o seu perfume saindo do livro e vindo diretamente para o meu nariz, me dando uma estranha sensação de prazer incômodo. De pensar que nós sentávamos no banco da praça, meia-noite, uma lua ofuscante, e conversávamos bobagens; nos amávamos com uma paixão quente e doce, e quando saíamos eu ficava com aquele desejo ardente de voltar e repetir tudo. Até que eu chegava em casa e você sussurrava no meu ouvido: "levanta, vem pra cama." E eu te puxava em mim, por outras vezes. Mas, de repente, uma luz grossa e densa me sugou pra fora, e eu fui caindo; abismo após abismo, e me perdi naquela imensidão. Não sei em que momento exatamente o tudo se contorceu. Mas eu não estou exatamente disposta a melhorar as coisas.

Ou A 109ª conta.

Sentei em frente ao computador sem saber como começar a escrever sobre os meus sentimentos desorganizados, que me inflamaram durante este fim de semana inteiro. Eu me sentei num daqueles puffs confortáveis do meu curso de inglês (mais conhecido como "última tentativa para o futuro"), e me dispus a ler Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert. Parei, atônita, quando ela começou a falar de seu casamento completamente destruído, um divórcio complicado e David. Um típico jovem americano que ela amava tão ferozmente quanto um leão que tenta sobreviver no meio de uma dificuldade mortal. Passei a observar David, a analisar seu relacionamento com quem eu, intimamente, chamo de Beth. Ele era um bom homem, bom amante, romântico, paciente e amável. Beth era uma senhora de 34 anos de idade, que estava mergulhando em depressão, e ancorava seus sentimentos nas mãos daquele nobre rapaz. Dei um sorriso vergonhoso, e me pus a chorar incontrolavelmente, enquanto bebia café e lia este seguinte trecho, por inúmeras vezes: "Enquanto tudo de invencível que um dia se mantivera de pé ia-se tornando uma avalanche fumegante de ruínas (...) e foi então que eu vi o outro lado do meu herói romântico (...) estou entrando em uma espiral de pânico, como sempre entro quando não sei o que fazer (...) Não sei dizer se isso faz de mim uma cabeça-dura que está prejudicando a si mesma, ou uma cabeça-dura que está preservando a si mesma." Foi então que todos os pedaços partidos do meu coração se uniram em prece, e pediram a Ele, ao Ser Supremo, que me fizesse entender o porquê de eu estar enfrentando essa história toda. Será que eu deveria fazer o mesmo que Elizabeth, e não fazer de David meu escape, ou seguir a sugestão de David e "vivermos juntos e infelizes, pra não vivermos infelizes por não estarmos juntos"? Eu realmente não soube me responder, então fechei os olhos e olhei meu coração tão abarrotado de sentimentos que contradiziam entre si.

A você, Amor, quem me embalou nos Seus braços de ternura e repreensão doce, e tratou das minhas feridas com uma dedicação jamais vista em um humano repleto de falhas. A Você eu agradeço por me ouvir em minhas madrugadas, a dissipar meus medos e dizer: "eu amo você, não importa pelo que você esteja passando. Eu sou em você, e você está em mim. Não tenha medo, minha filha, feche os olhos que Eu estarei aqui." Obrigada por me abençoar com a Sua presença nos meus dias, a ver a confusão dos meus dias e dizer: "Não é assim, venha cá, eu te ajudo." Por me ouvir muitas vezes, ainda que eu não tivesse nada a dizer além de "você pode sentar aqui comigo?". Eu me lembro dos momentos mais inusitados nos quais você esteve comigo. Obrigada, Amor. Obrigada, Deus. Obrigada, Força. Obrigada, Amigo.

Fazer Estrelas

Era uma conversa de irmãs blogueiras - aquela conversa de quem não quer nada, só companhia pra passar o tempo. Sobre seus blogs, há pouca coisa que elas amam mais. Família, namorados (cada uma tem o seu, certo?)... e o que mais mesmo?De vez em quando, aquela vontade de escrever uma coisa qualquer só porque quis. Mas não no seu blog.Aquela vontade de dividir um texto.Surge uma idéia.Um blog para dois. Pra viagem, por favor.

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