Bom, eu não queria fazer com que isso parecesse triste. Mas foi o único jeito que eu encontrei pra dizer que eu sinto falta... e preciso ir embora. Sim, ir embora. Porque fomos tantas nesses três anos em que eu tive poucas e raras notícias suas, que as visitas eram cada vez mais inesperadas, e, por fim, o que mais me dói até hoje: o sorriso tinha mudado. Não era mais de alegria, era - e é - uma indiferença de fechar os olhos e correr pra rua. É, minha garotinha, o mundo girou pra nós duas, e cá estamos nós, cada dia mais distantes e diferentes, mas... tão próximas! Mas eu sempre aprendi que proximidade é diferente de presença. E, apesar de não fazer QUALQUER sentido o que eu acabei de dizer, é verdade demais pra eu te dizer isso olhando nos olhos e segurando a sua mão. Como você me disse, na carta que me mandou quando foi embora, eu te digo agora: foi a forma menos dolorida que eu encontrei de me despedir de você. E, mesmo que eu te veja todos os dias, e me pergunte, a cada vez que te olho, o que aconteceu de errado, nós precisamos ir. Aceitar que a vida muda, que novas pessoas aparecem, e as antigas somem. Mas, apesar de tudo...
Eu te amo. E eu nunca, nunca vou esquecer de toda a alegria que a gente viveu.
Dar as costas e fingir que nada estava acontecendo foi a melhor saída, eu juro. Não pensar, tentar esquecer, fugir pra qualquer lugar do mundo em que eu não sentisse teu cheiro, nem aquela vontade de segurar tua cintura. Fui pra casa e chorei até dormir. Mas isso não faz diferença agora, faz? Você sempre me deu um sorriso amarelo, em retribuição a essa minha devoção inútil. Você sorria e virava as costas, e eu nunca, nunca percebi que... você não dava a mínima.
É difícil caminhar em linha reta quando todas as pessoas correm depressa pra bem longe, passando por mim. Subi no ônibus e fui pra casa pensando se a vida era mesmo aquela loucura. Lúcia me falou outro dia que era "melhor abstrair e seguir viagem, nega!". Eu só sorri e dei tchau, porque ela também estava correndo. O fim do ano sempre traz essa confusão toda, e eu acabo vagando pelo corredor vazio. Então percebo que eu passei a minha vida inteira fazendo isso: me esquivando de todo mundo. "O maldito do tempo inteiro".
É incrível (e assustador) o jeito como olho para o passado. Posso tocar as pessoas, captar cada fio de mágoa, tocar cada rosto, sentir toda a tristeza e depois bater os pés e continuar a andar pela casa, me ocupando das minhas tarefas. O que me machuca é sentir certo cheiro depois de tanto tempo. É reconhecer uma voz, um toque, uma expressão. Toda a minha barreira de proteção cai e eu fico parada, esperando tudo passar...
E sabe o pior? Me dá uma imensa vontade de vomitar.
Sabe, eu tenho umas manias meio esquisitas. Hoje, no ônibus, indo pra escola, tive uma ideia louca: fixar os olhos num adesivo colado no vidro que ficava atrás do motorista durante toda a viagem. Bem louco assim. Eu já tava ficando com a cabeça doendo, enjoada, e às vezes, por puro reflexo, olhava pro lado. Um novo passageiro, o ônibus ao lado. Então eu fechava os olhos, depois abría e continuava a olhar o tal adesivo (que eu nem lembro mais o que tava escrito hehe). Foi então que uma luz piscou na minha cabeça, e eu suspirei e disse (emocionada com esse contato que eu e Ele temos): É isso mesmo que você nos vê fazer o tempo todo, não é, Deus? Nós simplesmente não conseguimos manter o foco. Não conseguimos seguir a nossa vida contigo, sem parar pra olhar outros caminhos. Às vezes nós percebemos isso e voltamos, mas pode demorar! Ah, como é ruim quando demora! E é isso, gente. Por tantas vezes a gente se perde!
Quantos "desfocados" você conhece?
Você consegue manter o foco?
Quantas vezes você conseguiu voltar ao Pastor?
Como você se sente quando perde o foco?
Você ajuda a quem precisa voltar ao Caminho?
(Queridos - e poucos hehe - leitores, estamos meio sumidas daqui, mas prometo voltar a postar com aquela frequência de antes. Agora teremos posts com novos temas!)
Por Deus, não me obriguem a falar. As palavras são pesadas; são pesadas e carregam o mundo. Eu fujo devagar. Lento-remexo-os-pés. Ai, o mundo sempre foi pesado demais! O mundo e suas pessoas, o mundo e seus caminhos, o mundo e suas noites sem céu, o mundo e suas tempestades! E as pessoas? Ai, as pessoas me causam falta de ar! Tenho medo das pessoas. No fundo, são como eu. E tenho medo de mim, mar escuro sem chão nem fundo. Ai, estou cansada! Viver cansa, e viver torto ainda mais. Eu, meu eu e todas essas complicações de vôo livre. Mal-estar. Respiro fundo e devagar. Tudo muda de cor. O cheiro muda, também. Estação úmida é viver.
Eu não sei mais te esquecer, meu Calor.
Eu quero me perder em teus braços.
Eu quero que a minha felicidade seja a tua felicidade.
Eu quero teus melhores beijos.
Eu quero que a minha vida siga colada à tua... pra sempre...